Se você pesquisou sobre plataformas de programação para crianças, é porque já sabe da importância que essa habilidade adquiriu nos últimos anos. E não se trata apenas de uma questão profissional – em um contexto em que quase tudo o que fazemos envolve algum tipo de software, ter conhecimentos básicos de programação se torna uma questão de autonomia.

Acontece que existem tantos sites e aplicativos disponíveis que testá-los e escolher entre eles é uma tarefa demorada e, muitas vezes, frustrante. É por isso que nós fizemos boa parte desse trabalho para você!

Na lista abaixo você encontra as quatro plataformas que consideramos mais interessantes, todas gratuitas e em português:

1) Blocky Games

Disponível para: desktop (uso pelo site).
Idade sugerida: não possui indicação de idade.
Desenvolvido por: desenvolvido pelo Google, possui código aberto.

O Blocky Games é uma plataforma de programação para crianças que ensina lógica de programação a partir de jogos simples. Ele é feito para crianças que não possuem nenhum conhecimento de códigos e promete que, ao final, os jogadores estarão prontos para usar linguagens convencionais baseadas em textos.

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Sua interface não é das mais atrativas, mas suas atividades são mais refinadas do que parecem. Além disso, ao concluir cada uma delas, a plataforma te mostra como aqueles blocos seriam representados em linhas de código na linguagem JavaScript.

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Para um melhor aproveitamento, indicamos que as atividades sejam feitas na ordem em que estão apresentadas, pois os conceitos explicados em uma serão importantes para a realização das próximas.
Nos primeiros jogos, o único método utilizado é o de arrastar e soltar blocos. Já nos últimos, os jogadores podem escolher usar blocos ou a linguagem JavaScript.

2) Scratch

Disponível para: desktop (uso pelo site).
Idade sugerida: a partir de 8 anos.
Desenvolvido por: grupo Lifelong Kindergarten, do MIT.

O Scratch é uma plataforma de programação para crianças que permite a criação de jogos, animações e histórias interativas utilizando o método de "arrastar e soltar". Sua tela de projetos possui uma série de blocos que correspondem a comandos.

A criança pode escolher os personagens ou objetos que quer utilizar e combinar esses blocos de ações como se fossem peças de lego. Veja um exemplo da tela de projetos:

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Os tutoriais em vídeo ensinam de forma simples como utilizar cada uma das ferramentas disponíveis.

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As ferramentas são intuitivas, permitindo que mesmo crianças e jovens que nunca utilizaram a plataforma consigam criar projetos básicos desde a primeira tentativa, sem se frustrarem.

Caso você faça um cadastro gratuito, os projetos criados podem ser salvos e compartilhados com os outros usuários da plataforma.

O objetivo do Scratch não é ensinar uma linguagem de programação específica. A ideia é estimular a criatividade, colaboratividade e raciocínio lógico, além de desmistificar a dificuldade por trás da criação de animações e jogos.

3) Hora do código

Disponível para: desktop (uso pelo site).
Idade: todas as idades.
Desenvolvido por: code.org

Assim como o Scratch, esta plataforma de programação para crianças utiliza principalmente o modelo de "arrastar e soltar" para criar vídeos animados e jogos. Em sua tela inicial, você encontrará uma série de projetos possíveis, cada um com a indicação etária e o tipo de linguagem que utiliza.

Enquanto o Scratch tem possibilidades muito mais abertas e, portanto, dá mais liberdade para o exercício da criatividade, o Hora do Código possui projetos específicos e com ações mais direcionadas – o que pode ser vantajoso nos primeiros contatos esse tipo de lógica.

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Cada projeto terá cerca de uma hora de atividades de programação cuja complexidade aumenta gradativamente. Todas essas atividades são realizadas com a ajuda de um tutorial e, ao final, o usuário terá concluído um jogo ou uma animação.

Os projetos se iniciam com um vídeo curto, geralmente em inglês, sobre qual será seu resultado final. Mas na tela de construção do projeto, todos os passos são explicados de maneira simples, detalhada e em português.

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Na área do projeto, existe o botão "Mostrar código". Clicando nele, o usuário visualiza como os blocos de ação que ele está utilizando se traduzem em linhas de uma linguagem de programação.

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4) Code combat

Disponível para: desktop (uso pelo site).
Idade sugerida: a partir de 6 anos.
Desenvolvido por: CodeCombat junto de uma comunidade de desenvolvedores, open source.

Code combat é uma plataforma de programação para crianças um pouco mais complexa mas, ao mesmo tempo, muito mais atrativa do que as anteriores. Nela, tudo é feito através de um jogo. Cada nível possui várias fases e trabalha um conceito ou técnica de programação.

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Ao iniciar, o jogador escolhe seu personagem e a linguagem de programação que quer utilizar – as opções podem variar de acordo com o conceito ou técnica sendo ensinado. Com isso, é apresentado à sua missão. Então, precisa escrever linhas de códigos para que o personagem realize seu objetivo e passe para a fase seguinte.

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É possível jogar até mesmo sem cadastro. Mas criando uma conta gratuita o jogador consegue salvar seu progresso e sempre continuar da fase em que parou. Na tela do jogo/projeto, do lado esquerdo, você visualiza o seu personagem em um determinado cenário. Do lado direito, o usuário deve digitar os códigos para realizar as ações que desejar. Uma lista de códigos possíveis é apresentada na tela e tutoriais ajudam os iniciantes a entenderem a dinâmica e escolher entre os códigos disponíveis.

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A estrutura tem muitas chances de engajar as crianças e jovens e demonstrar o poder e a autonomia que o conhecimento de programação pode oferecer, mesmo que seja apenas o básico.

Code Combat também pode ser usado em escolas. É possível criar contas de usuário comum, usuários professores e usuários alunos. Professores podem criar "classes", convidar alunos para participarem da turma e começarem os estudos em ciência da computação.

Para saber mais sobre o impacto das telas no desenvolvimento das crianças

Sabemos que o tema do uso de celulares e computadores por crianças envolve a discussão sobre como os aparelhos podem afetar o desenvolvimento dos pequenos. Por isso, recomendamos o episódio "Crianças & Telas", do podcast Mamilos, no qual profissionais especializados – um pediatra e um educador – falam sobre isso sem julgamentos e sem a definição de supostas regras universais. Ele pode te ajudar a encontrar uma medida balanceada e apropriada para a sua realidade, que permita às crianças se beneficiarem da tecnologia sem que ela substitua as relações humanas e o brincar.