O Product Owner (PO) é uma figura de liderança de projetos que surge com as metodologias ágeis e cuja missão é maximar o valor gerado pelo trabalho da equipe de desenvolvimento. As formas como um PO realiza essa missão variam de acordo com o tipo de projeto e as características da empresa, do time e até do próprio profissional. Ainda assim, a posição vem com algumas funções consideradas universais:

Transformar as necessidades do cliente em objetivos claros para as equipes técnicas do projeto

Para isso, quem atua como Product Owner precisa analisar o contexto do cliente, compreender qual problema seu produto deve solucionar e quem serão seus usuários finais.

Esses três pontos são indispensáveis para traduzir as ideias e demandas do cliente em objetivos claros e bem definidos. Então, é responsabilidade do time de desenvolvimento definir qual será o melhor caminho técnico para alcançar tais objetivos, transformando-os em tarefas. Todas essas tarefas devem ser organizadas no Backlog do Produto, uma lista de atividades que segue regras e técnicas específicas de organização e que é gerenciada exclusivamente pelo PO.

Ordenar os itens do Backlog do Produto

Depois de transformar as necessidades dos clientes em demandas e adicioná-las ao Backlog, o PO precisa analisá-las junto da equipe. Durante essa análise, deve responder às seguintes perguntas:

  • Quais dessas demandas são realmente indispensáveis para o bom funcionamento do produto?
  • Essas demandas estão prontas para serem executadas, ou precisam ser desdobradas em tarefas menores e mais específicas?
  • Quais são os tamanhos de cada uma dessas tarefas, tanto em tempo de execução quanto em complexidade técnica e valor que entregam para o cliente?

Muitas vezes, tais perguntas geram novas dúvidas, que vão sempre depender do contexto de cada projeto. Respondê-las da melhor forma possível é indispensável para que o Product Owner priorize os itens dentro do Backlog.

Após desdobrar e priorizar as tarefas, o Product Owner deve negociar com o time a estratégia para executá-las seguindo a seguinte diretriz: é preciso entregar ao cliente primeiro aqueles itens que geram mais valor para o produto e que são indispensáveis para o seu funcionamento. Isso só é possível caso os dois processos anteriores tenham sido bem realizados e caso o PO e o time estejam bem alinhados.

Garantir que as necessidades do cliente sejam claras para a equipe técnica

Quando o time de desenvolvimento tem clareza não apenas da tarefa que precisa executar, mas também de como ela se encaixa no projeto como um todo, o trabalho tende a ser feito com maior precisão. Além disso, a noção do todo possibilita que os desenvolvedores sugiram soluções para superar eventuais desafios, ou, até mesmo, maneiras mais eficientes de construir uma ferramenta.

Garantir que o valor das funcionalidades desenvolvidas seja claro para o cliente

Muitas vezes, semanas de trabalho de desenvolvimento resultam em configurações ou ferramentas indispensáveis para o produto, mas que são difíceis de demonstrar ao cliente. Tornar claro o valor e a complexidade dessas funcionalidades é papel do Product Owner.

Para isso, esse profissional precisa de boas técnicas de comunicação e de apresentação, e de um bom roteiro de demonstração que traduza as tarefas realizadas pela equipe para uma linguagem mais gerencial e menos técnica. Essa etapa é essencial para evitar frustrações e desgastes na relação com o cliente.

Diferenças entre Product Owner e Gerente de Projetos

É muito comum surgirem dúvidas sobre a diferença entre o Product Owner e o Gerente de Projetos. Essa é uma questão difícil de esgotar, pois cada empresa possui suas próprias variações de organização, cargos e atividades. Ainda assim, entender a diferença entre essas posições passa pela compreensão da diferença entre os métodos de trabalho em que elas se inserem.

O cargo de Product Owner surge no âmbito dos métodos ágeis – como o Scrum –, que são um contraponto à metodologia de cascata, tradicionalmente utilizada para o desenvolvimento de softwares. Esses métodos são focados em processos, na entrega contínua de valor, nos testes e na maleabilidade dos planos. Já o método de cascata se baseia em etapas longas, rígidas e independentes de análise, planejamento e produção, todas voltadas para uma única entrega final.

Portanto, em um projeto ágil, o responsável por administrar o produto e a relação com o cliente terá funções mais ligadas à qualidade dos processos, à constante análise de contextos e à gestão e alinhamento de expectativas, além de ter uma relação muito mais próxima e perene tanto com o cliente quanto com a equipe técnica.

Devido a essa mudança de método, a posição de Gerente de Projetos, comum em métodos tradicionais de trabalho, é diluída pelas metodologias ágeis. No Scrum, as funções desse cargo são divididas entre três posições distintas, Product Owner, Scrum Master e Time de Desenvolvimento.

Conclusão

O papel do Product Owner em um time e suas principais atividades são intrinsecamente ligados à construção, administração e execução do Backlog, um tipo de lista de tarefas utilizada em projetos ágeis. Por isso, para quem quer se aprofundar no tema, aconselhamos a leitura deste texto aqui.