Do designer industrial ao de sobrancelhas: o que é design?

Design Dez 10, 2019

Com a multiplicação de atividades que somam "design" ao nome, fica cada vez mais difícil definir o que é design e qual é o denominador comum entre todas as suas aplicações

Design gráfico, design de sobrancelhas, design industrial, design de experiência do usuário, design sprint e design de bolos. Como é que essas e tantas outras práticas do design, todas tão diversas entre si, podem se encaixar em um mesmo conceito? E, aliás, o que é design mesmo?

Neste texto, procuramos desfazer os nós que tornam o design intangível. Retomando a origem do termo e da atividade, poderemos encontrar o denominador comum do design e entender porque ele pode ser aplicado em tantos contextos.

Todo mundo pratica design

Conhecemos o design como uma atividade, uma profissão e uma área de estudo. Mas antes de se tornar disciplina e ofício, o que hoje chamamos "design" já existia e era constantemente aplicado, ainda que com outro grau de complexidade. É o que explica Nigel Cross no livro “Design Thinking”:

“Todos podem aplicar - e aplicam - design. Todos nós utilizamos o design quando nos planejamos para criar algo novo, seja uma nova versão de uma receita, a nova organização dos móveis da sala, ou o novo layout de uma página pessoal. Evidências de diferentes culturas ao redor do mundo, assim como de designs criados por crianças e adultos, sugerem que todo mundo é capaz de aplicar o design. Então, a maneira de pensar do design é algo inerente à cognição humana; é uma parte chave do que nos torna humanos” (tradução livre)

Tudo que está ao nosso redor e que não é resultado da própria natureza foi projetado e criado por alguém, ou seja, passou por um processo de design. E quanto melhor for esse processo, melhor será também a nossa interação com os espaços e objetos ao nosso redor.

Por isso, por mais que todos os seres humanos sejam, em algum grau, designers, a profissionalização dessa atividade e seu contínuo desenvolvimento são indispensáveis para que nossos navios não afundem, nossos carros gastem menos combustível, nossos aplicativos sejam funcionais e, porque não, nossos bolos de casamento sejam cada vez mais incríveis. Em outras palavras, o design media nossa relação com o mundo e determina, de certa forma, nossa qualidade de vida.

A lógica por trás do método

Tudo bem, então o design é importante e todos nós o utilizamos. Mas o que é design e como exatamente ele funciona? O que esse método tem de especial? Bom, a resposta está no tipo de lógica que guia seus processos.

Existem três principais tipos de raciocínio: indutivo, dedutivo e abdutivo. O raciocínio dedutivo é comum à lógica formal. Ele consiste em chegar a um resultado particular a partir de conhecimentos gerais já dados. Utilizamos a dedução, por exemplo, quando nos baseamos em eventos históricos para prever as consequências de uma mudança política. O raciocínio indutivo, por sua vez, é o da ciência e, ao contrário do anterior, parte de casos isolados para identificar leis gerais que os explicam.

Já o raciocínio abdutivo é o que guia o design. Ele é o único que possibilita a criação de soluções novas, e que não está preocupado em chegar a uma resposta única e universal para um problema – sua missão é simplesmente criar uma solução que funcione.

Como coloca Cross, se um designer tem a missão de criar um telefone próprio para idosos, o que ele faz é entender o problema por trás dessa missão e desenvolver uma solução específica, dentre as milhares possíveis, para ele. Como o autor resume, "é essa 'hipotetização' do que pode ser, o ato de produzir propostas ou conjecturas, que é central para o design."

O que é design: o máximo denominador comum

Mas, enfim, o que todas as atividades que possuem o termo “design” no início do nome têm de semelhante? Ou seja, qual é o máximo denominador comum do design? A resposta mais simples e direta é: design thinking.

O design thinking – ou pensamento do design – é um método, uma maneira de pensar que, uma vez assimilada e desenvolvida, pode ser aplicada na criação de um bolo, no desenho de uma sobrancelha ou na elaboração de um carro de corrida – guardando-se, é claro, as devidas proporções e complexidades. O design thinking é o design em si, em sua forma mais essencial, antes de se adaptar às especificidades das áreas e dos projetos em que é aplicado.

Após apropriar-se do método e seu modelo mental, o designer pode adquirir o conjunto de conhecimentos técnicos e ferramentais dos ramos em que deseja atuar, sejam eles quais forem. Nesse sentido, o termo “design” é atribuído a muitas atividades para indicar, de maneira geral, que novas etapas de planejamento e de projeto foram acrescentadas ao seu processo de realização.

Resumindo, o denominador comum do design, o design thinking, é um método de compreensão de problemas e elaboração de soluções – sejam problemas estéticos, de infraestrutura, de marketing ou bélicos. Por isso, ele pode ser somado a habilidades específicas de qualquer outra área de produção. E por não acreditar na existência de uma única solução perfeita para cada desafio, o processo de análise e planejamento do designer tende a ser criativo, rápido e eficiente – características que fazem com que tantos setores incorporem estes profissionais.

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