5 motivos para pensar a acessibilidade em projetos

Gestão de Projetos Abr 12, 2021

Nem sempre a acessibilidade de um sistema é pensada durante um projeto de tecnologia. Alguns argumentos muito utilizados para justificar essa decisão são que “pessoas com deficiência não são meu público-alvo” ou “não vejo porque pessoas com deficiência (PCD) teriam interesse no meu produto”. Mas, será que essas afirmações são válidas? Ao terminar de ler esse artigo, você estará certo que não. Veja cinco motivos que demonstram porque pensar em acessibilidade é investir em nós e em nosso futuro.

1. Abandone a ideia de que você não faz parte desse grupo

É errôneo acreditar que PCD se refere a um público específico de pessoas que possuem algum tipo de deficiência definitiva, imutável. Nós podemos ter limitações físicas, intelectuais, visuais ou auditivas por períodos temporários. Esse é um dos motivos pelos quais a característica PCD não é um critério de público-alvo. Imagine que você quebrou o braço e precisou usar um gesso. Certamente, nesse momento, você irá encontrar dificuldades para digitar e operar o celular com uma única mão. Suas frustrações serão muito semelhantes às de uma pessoa que possui um algum tipo de paralisia muscular, por exemplo.

2. Você pode desejar usar alguma tecnologia assistiva em contextos específicos

Existem diversas situações em que uma pessoa pode desejar ou necessitar de meios acessíveis para melhorar sua experiência com o produto ou serviço. Para isso, são criadas as chamadas “tecnologias assistivas”, que são todos aqueles recursos e serviços criados com a intenção de proporcionar ou ampliar alguma habilidade funcional. Vamos supor que em um aplicativo de entregas é possível entrar em contato com o estabelecimento em caso de algum problema com o pedido. Para promover mais acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva, a interface possui uma solução de contato por chat. Em contextos variados, pessoas que não possuem nenhum tipo de deficiência auditiva também podem preferir digitar ao invés de falar. Isso pode acontecer também quando estamos em uma biblioteca ou em uma festa com muito barulho – são as chamadas condições situacionais.

3. PCD não é um “público” pequeno

É comum achar que o número de pessoas com algum tipo de deficiência é pequeno. Como falamos nos tópicos acima, PCD não é um grupo limitado, já que qualquer pessoa pode necessitar ou desejar utilizar recursos acessíveis em algum momento da vida. Considerando as estatísticas apresentadas pelo IBGE, por exemplo, 12,5 milhões de brasileiros possuíam grande ou total dificuldade em enxergar, ouvir, falar ou caminhar em 2010. Na mesma pesquisa, quase 25% da população declarou ter algum grau, mesmo que mínimo, de dificuldade nessas atividades.

4. "A diversidade é a base da inovação disruptiva", Frances West

Ao pensar em recursos que incluam pessoas e promovam igualdade, podemos descobrir novas features que inovem nossos produtos. A Siri, assistente de voz do Iphone, foi criada como um recurso para pessoas com deficiência visual, mas, atualmente, é usada como primeira opção por milhões de usuários sem deficiência por facilitar tarefas do dia a dia.

Outro exemplo é o recurso de "modo de leitura" dos navegadores, que oculta determinados conteúdos distrativos da página. Essa funcionalidade foi criada, prioritariamente, para pessoas com dislexia, mas também é utilizada por muitas pessoas que possuem planos de internet limitados no celular e querem economizar seu pacote de dados.

5. A acessibilidade é uma oportunidade para os negócios e para um futuro melhor

Pensar em inclusão ao projetar um serviço ou produto deixou de ser apenas um processo de empatia. A OMS estima que até 2030, 2 bilhões de pessoas precisarão de, pelo menos, uma tecnologia assistiva para realizar suas tarefas. Além disso, em projeções feitas pelo IBGE, a porcentagem de brasileiros com mais de 65 anos, em 2060, será de 25% – atualmente é de 9,2%. Ou seja, acessibilidade não é apenas sobre pessoas com deficiência, é sobre nosso próprio futuro.

Desse modo, pensar a acessibilidade em produtos e serviços não serve somente para aumentar o número de pessoas que usam aquela solução, também não se trata apenas de empatia. É um requisito de qualidade essencial, na medida em que diminui atritos, frustrações e melhoram a experiência de uso de todas as pessoas – PCDs e não PCDs. A acessibilidade é um requisito indispensável, e não um diferencial.

José Henrique Ronchi

Designer de Produto na Caiena.

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