23 de abril: Dia Mundial do Livro

Cultura Abr 23, 2021

A data de 23 de abril foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Dia Mundial do Livro. A comemoração foi criada com o intuito de incentivar a leitura, homenagear autores e celebrar a importância dos livros na vida das pessoas.

Personagens marcantes, memórias especiais e aprendizados são alguns dos elementos que a leitura proporcionou às gerações ao longo do tempo. Mudanças nos hábitos de leitura aconteceram nesse percurso. Atualmente, para além dos livros físicos, é possível ler no formato de ebook ou até ouvir os livros que estão disponíveis em audiobooks.

Durante a pandemia, o mercado editorial também precisou se reinventar. O investimento nas lojas online foi fundamental para que as livrarias pudessem se manter, visto que em 2019 a maior parte do faturamento era proveniente da venda em lojas físicas. Com a quarentena, esse número praticamente se inverteu, e as vendas online se tornaram as mais expressivas, como é apresentado em matéria da Folha de São Paulo.

Além disso, a venda de livros cresceu 44% durante o isolamento, demonstrando que esse é hábito capaz de nos auxiliar no lazer, nos estudos e pode até contribuir com a saúde mental em tempos de incerteza. Para celebrar a data de forma interativa, convidamos nossos talentos a nos contarem quais os livros que marcaram suas vidas. Prepare-se para aumentar a sua lista de livros para ler neste ano!

Trabalho e Estilo de vida

A Jully Marinho, analista de projetos, nos contou que, apesar de não ser fã de números e de estatística, sempre esteve atenta às informações baseadas em dados. Por isso, o livro Como Mentir com Estatísticas (Darrell Huff) foi muito importante em sua formação. Segundo ela, "o autor te ensina diversas formas de validar a seriedade e veracidade de dados que são apresentados nos meios de comunicação – ou a pelo menos perceber quando uma informação é duvidosa."

Já para Douglas Henrique, desenvolvedor, o livro The Lean Startup (Eric Ries) marcou um momento importante de sua trajetória: foi o ponto de partida da startup que fundou com seus amigos. O livro o aproximou da experiência de empreender e o fez "entender um pouco melhor como é o mundo – não como eu acho que ele deveria ser, mas como ele realmente é."

João Paulo Gotardo, coordenador da Área de Pessoas, apresentou três livros que impactaram a construção de sua carreira profissional, principalmente no desenvolvimento de competências e habilidades para o mundo da tecnologia, são eles: Um Novo Jeito de Trabalhar (Laszlo Bock), Conversas Cruciais (Kerry Patterson) e Design Thinking (Tim Brown) – este último já é um clássico!


O Alex Cáceres, desenvolvedor, e o José Wilas, coordenador de projetos, apresentaram livros que foram bem utilizados por eles não só no ambiente de trabalho, mas também na vida pessoal. O Alex recomendou Felicidade no trabalho: estratégias para otimizar sua performance (Jennifer Moss). Segundo ele, "o livro é embasado por pesquisas científicas na área da psicologia e trata da felicidade como algo possível de ser alcançado por qualquer pessoa, na vida e no trabalho – fugindo daquela noção que a felicidade plena é algo surreal."


Wilas destacou dois livros importantes, o primeiro deles se chama Originais - como os inconformistas mudam o mundo (Adam Grant). Wilas conta que ganhou este livro de presente da Clara Cecchini, consultora e parceira da Caiena, no terceiro mês de trabalho na empresa, "fiquei muito feliz. É um livro muito inspirador e conta histórias incríveis de pessoas que desafiaram o padrão e conseguiram alcançar grandes resultados em situações que a maioria das pessoas não acreditaria." O segundo livro que o marcou é Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas (Dale Carnegie). Para ele, "este livro é muito didático e preciso em mostrar como os comportamentos mais simples e genuínos são capazes de transformar as pessoas e os ambientes em que elas convivem. Impossível não melhorar suas relações sociais (trabalho, família, relações afetivas e amizades) após a leitura desse livro. Incrível!"

José Ronchi e Jaqueline Vital, designers, se lembraram de livros que impactaram sua saúde e estilo de vida. Atenção plena: Mindfulness (Danny Penman), foi apontado por José, que se interessa muito pelo tema da meditação: "acho que a meditação é uma forma de vivermos mais conectados com o presente. Este livro desmistifica um pouco a meditação, desvinculando-a de raízes espirituais e ensinando como praticá-la para quem quer começar!"

O livro que marcou a Jaque é o chamado Livro Tibetano do Viver e do Morrer (Sogyal Rinpoche), que apesar de ser um livro do budismo tibetano, apresenta que as características dessa vertente do budismo transcendem a religião. Segundo ela, "se adaptadas ao cotidiano, qualquer pessoa poderá perceber grandes mudanças em sua vida, independente das crenças".

Literatura

Vários talentos tiveram suas trajetórias marcadas pelos livros ainda na infância e adolescência, como aconteceu com a Josy Anjos, engenheira de software. Os livros da Coleção Vaga-lume, que foram um sucesso no país a partir da década de 1970, a fizeram descobrir um mundo novo a ser explorado. Josy conta que não haviam muitos livros na escola onde estudava, "então não era possível que os alunos levassem os livros para casa. Sempre após a aula, eu ficava no cantinho da biblioteca e lia algum livro da Coleção Vaga-Lume".

A escola foi fundamental para Josy descobrir o gosto pela leitura. Já no caso de Rebecca Lyra, designer, o incentivo veio de seu pai. Ao ler O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder), Rebecca pôde aprender sobre filosofia de uma maneira descomplicada e começar a exercer um pensamento crítico. Já mais velha, o livro que a marcou foi The invisible life of Addie LaRue (V. E. Schwab). "Ele conta a história de uma mulher que não consegue ser lembrada. Todos que a conhecem, a partir do momento que tiram os olhos dela, esquecem que a conheceram momentos antes. Comprei esse livro em inglês – 543 páginas – e o devorei em uma semana", diz Rebecca.


Ao ler O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini), ainda na adolescência, Joyce Romano, product owner, descobriu que mesmo em realidades tão diferentes era possível florescer uma amizade. Esse livro chegou a virar filme, e no caso do Murillo Jesus, scrum master, foi a literatura que o levou ao cinema: "o livro que mais me impactou quando li foi Laranja Mecânica (Anthony Burgess). Um amigo meu me recomendou ler o livro antes mesmo de ver o filme. Quando tive contato com a narrativa, com o enredo e o vocabulário do livro (a versão que eu peguei tinha o dicionário Nadsat) eu fiquei realmente fascinado. Tudo no livro me impressionou muito e foi minha porta de entrada para literatura e cinema clássicos. Essa parte cultural também influenciou muito a decisão de cursar jornalismo, anos depois".

Brayan Bernardo, engenheiro de software, encontrou nos livros de Marcelo Rubens Paiva, um estímulo para conhecer mais da literatura brasileira. Isso aconteceu através de Feliz Ano Velho, um relato pessoal da vida do autor, que narra a respeito do acidente que o levou a perder o movimento das pernas. Brayan conta: "foi um dos primeiros livros nacionais que eu gostei de ler. Gostei tanto que acabei lendo outro do mesmo autor em seguida, Blecaute.

A Giuliana Wolf, coordenadora da Área de Comunicação, também foi marcada por um livro brasileiro, Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus), um livro em formato de diário que narra os dias da autora. "Na época em que escreveu, a autora era catadora de recicláveis e criava os quatro filhos sozinha em uma comunidade de São Paulo. O livro me impactou porque me mostrou uma realidade que eu conhecia pouco e também porque mostra como a escrita pode ser uma arma poderosa para a sociedade. No caso da autora, foi o que possibilitou uma melhora considerável de suas condições. Além disso, ela fala sobre situações pouco retratadas na literatura de maneira muito visceral. "


Já o segundo livro importante para Giuliana é O Mistério da Estrada de Sintra (Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão). "Esse livro conta o mistério de uma morte que acontece na estrada que liga Lisboa à Sintra. Porém, ele não foi lançado como livro, mas sim como cartas anônimas publicadas ao longo de três meses no Diário de Notícias, periódico lisboeta, em 1870. Cada carta, ou capítulo, é narrado por um personagem diferente envolvido na história, dando pistas sobre quem seria o assassino e o assassinado – mas à época, os leitores não sabiam que tudo se tratava de ficção. Em pouco tempo, a sociedade lisboeta passou a dar nomes aos bois que sequer existiam. A publicação foi praticamente um estudo de laboratório para os autores, que eram grandes críticos do status quo e das convenções da burguesia.

Essa obra me impactou por vários motivos, mas principalmente pela “história por trás da história” e porque me abriu os olhos para os autores clássicos portugueses, cujas obras eu só tinha lido por obrigação, na época do vestibular. Voltar a eles tantos anos depois foi um divisor de águas para mim: consegui enxergar as obras pela importância histórica que têm e ver que Eça de Queiroz vai muito além da obra A Cidade e as Serras."


Todos os livros citados marcaram um momento da vida de alguém. Qual livro marcou sua vida? Conta pra gente em nossas redes sociais.


Marta Barbieri

Cientista Social e Assistente de Comunicação na Caiena.

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